segunda-feira, 16 de dezembro de 2013


13.ª semana ~ de 16 a 17 de dezembro




Iluminações.



  • Avaliação. 

  • Final do 1.º período.





Tomás, Joana, Beatriz, João Silva, Rita, Oleksandr

desejam








Boas Festas, arroianos

2014 - prenhe de leituras boas.



[…]

Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
à beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
precisam de Jesus, do Mar, ou de Poesia?


David Mourão-Ferreira,  “Natal à Beira Rio”, in Obra Poética







segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013


11.ª semana ~ de 2 a 6 de dezembro



José Guilherme Chiote
 esferográfica.






  • Conclusão das apresentações orais.
  • A crónica. - manual pág. 68
  • Leitura da crónica de Fernando Alves "Viagem tecida"




  • proposta de Rita Russo 




segunda-feira, 25 de novembro de 2013

segunda-feira, 18 de novembro de 2013


9.ª semana ~ de 18 a 22 de novembro




Dali. The Disintegration of the Persistence of Memory

- aqui -

 


  • Teste escrito.

  • Diário. - Manual, pp.: 115-119. "Escrever um diário"
  • Memórias. - Texto de Isabel Ruth, pág. 122.











O PROFISSIONAL DA MEMÓRIA

Passeando presente dela
pelas ruas de Sevilha,
imaginou injetar-se
lembranças, como vacina,

para quando fosse dali
poder voltar a habitá-las,
uma e outras, e duplamente,
a mulher, ruas e praças.

Assim, foi entretecendo
entre ela, e Sevilha fios
de memória, para tê-las
num só e ambíguo tecido;

foi-se injetando a presença
a seu lado numa casa,
seu íntimo numa viela,
sua face numa fachada.

Mas desconvivendo delas,
longe da vida e do corpo,
viu que a tela da lembrança
se foi puindo pouco a pouco;

já não lembrava do que
se injetou em tal esquina,
que fonte o lembrava dela,
que gesto dela, qual rima.

A lembrança foi perdendo
a trama exata tecida
até um sépia diluído
de fotografia antiga.

Mas o que perdeu de exato
de outra forma recupera:
que hoje qualquer coisa de um
traz da outra sua atmosfera.


João Cabral de Melo Neto. Museu de Tudo, pp. 401-402.
(Aqui. Em 18.11.2013)






segunda-feira, 11 de novembro de 2013


8.ª semana ~ de 11 a 15 de novembro




Paul Sérusier. Grammar

- aqui -


  • Língua - reflexão. 

  • Coordenação. Subordinação.



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CARTA DA INFÂNCIA


      Amigo Luar:


      Estou fechado no quarto escuro
      e tenho chorado muito.
      Quando choro lá fora
      ainda posso ver as lágrimas caírem na palma das minhas mãos
                e brincar com elas ao orvalho nas flores pela manhã.
      Mas aqui é tudo por demais escuro
      e eu nem sequer tenho duas estrelas nos meus olhos.
      Lembro-me das noites em que me fazem deitar tão cedo e te
                oiço bater, chamar e bater, na fresta da minha janela.
      Pelo muito que te tenho perdido enquanto durmo
      vem agora,
      no bico dos pés
      para que eles te não sintam lá dentro,
      brincar comigo aos presos no segredo
      quando se abre a porta de ferro e a luz diz:
      bons dias, amigo.


          Carlos de Oliveira, Trabalho Poético



segunda-feira, 4 de novembro de 2013


7.ª semana ~ de 4 a 8 de novembro




- aqui -



  • Correspondência de...
  • Leitura comentada de cartas.


  • "QUE"  - pronome relativo.
  • "QUE" - conjunção completiva.





- aqui -




Todas as cartas de amor são

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

21-10-1935
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).

**AQUI – Arquivo Pessoa  (consultado em 4.11.2013)




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Maria Bethânia







- outras versões




  

 



Cartas de amor - Fernando Pessoa_Ofélia






segunda-feira, 28 de outubro de 2013


6.ª semana ~ de 28 de outubro a 1 de novembro




- aqui -




  • Manual - pp. 127 - 133
** epístola -aqui_ mais


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“Se procurar amparo na Natureza, no que é nela tão simples e pequeno que quase não se vê mas que inesperadamente pode tornar-se grande e incomensurável; se alimentar esse amor pelo mais ínfimo e se tentar, humilde como um criado, ganhar a confiança do que parece pobre, tudo será para si mais fácil, mais coeso e de algum modo mais conciliador, talvez não no intelecto, que recua atónito, mas no mais íntimo da sua consciência, do seu conhecimento e atenção.
Você é tão jovem ainda, está diante de todos os inícios, e por isso gostaria de lhe pedir, caro Senhor, que tenha paciência quanto a tudo o que está ainda por resolver no seu coração e que tente amar as próprias perguntas como se fossem salas fechadas ou livros escritos numa língua muito diferente das que conhecemos. Não procure agora respostas que não lhe podem ser dadas porque ainda não as pode viver. E tudo tem de ser vivido. Viva agora as perguntas. Aos poucos, sem o notar, talvez dê por si um dia, num futuro distante, a viver dentro da resposta. Talvez traga em si a possibilidade de criar e de dar forma e talvez venha a senti-la como uma forma de vida particularmente pura e bem-aventurada; é esse o rumo que deverá tomar a sua educação; mas aceite o que está por vir com grande confiança, e se ele surgir apenas da sua vontade, de uma qualquer necessidade interior, deixe-o entrar dentro de si e não odeie nada.”

Rainer Maria Rilke, Cartas a um Jovem Poeta, Carta Quatro, “Worpswede, junto a Bremen”, 16 de Julho de 1903.


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Alexandra Ramos, n.º 1,  deu-nos a conhecer:

Autobiografia

Estive convosco em muitas palavras.
Algumas levaram-me ainda mais perto.
Com outras fiquei apenas mais só.

De muitas não vi que rosto as guardava.
Por outras me dei a quem não pedia.
Onde foram mentira alguém me faltava.
Mas todas cumpri por quem me cumpria.

E passaram ardendo em novos combates,
cobriram silêncios, provaram mistérios,
fizeram amigos que nunca terei.

Por serem verdade me trazem aqui.
E quando as sonhais na vossa esperança,
Um irmão me procura por entre as cidades
com todos os rostos que perdi.

Vítor Matos e Sá, in Esparsas 


segunda-feira, 21 de outubro de 2013


5.ª semana ~ de 21 a 25 de outubro




Egon Schiele, Retrato de Guido Arnot, 1918

- aqui -




  • Manual: texto de António Lobo Antunes. Leitura. Interpretação. Questionário orientado.

  • Poema de Fiama Hasse Pais Brandão "Imagem num espelho".

  • Excertos de: Retrato de Dorian Grey, Aparição, Finisterra. (Cfr supra em «na aula de passagem)


  • Produção escrita.



- autorretrato



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A SENHORA DO RETRATO
Os retratos a óleo fascinam-me. E ao mesmo tempo assustam-me. Sempre tive medo que as pessoas saíssem das molduras e começassem a passear pela casa. Para falar verdade, estou convencido que isso aconteceu algumas vezes. Em certas noites, quando eu era pequeno, ouvia passos abafados e tinha a sensação de que a casa ficava subitamente cheia de presenças. Ainda hoje não gosto de atravessar os longos corredores das velhas casas com grandes retratos pendurados nas paredes. Há olhos que nos seguem do alto e nunca se sabe o que de repente pode acontecer.
Havia na casa da tia Hermengarda um quadro deslumbrante. Ficava ao cimo das escadas, à entrada do corredor que dava para os quartos de dormir. Mesmo assim, rodeado de sombras, irradiava uma luz que só podia vir de dentro da dama do retrato. […]
Manuel Alegre, in O Homem do País Azul

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segunda-feira, 14 de outubro de 2013


4.ª semana ~ de 14 a 18 de outubro





Otto Dix, self-portrait

- aqui -


  • Manual adotado - pp. 134-138.

  • Classe de palavras. Nomes. Adjetivos. (cfr. Manual - pp 299-300).


"Descalça vai para a fonte" 






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PARÁFRASE -   É a arte de desenvolver o conteúdo de um texto lido mantendo sua ideia principal.
[de Marcos Lourenço, in E-DTL – consultado em 20.10.2013]

VER - aqui



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segunda-feira, 7 de outubro de 2013


3.ª semana ~ de 7 a 11 de outubro





imagem: aqui



  • Autorretrato.
  • Leitura de textos.
  • Biblioteca da Escola - visita guiada.
  • Funções sintáticas. Sujeito. Vocativo.

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Leituras:


1.

« O vento, que é um pincha-no-crivo devasso e curioso, penetrou na camarata, bufou, deu um abanão. O estarim parecia deserto. Não senhor, alguém dormia meio encurvado, cabeça para fora no seu decúbito, que se agitou molemente. Volveu a soprar. Buliu-lhe a veste, deu mesmo um estalido em sua tela semi-rígida e imobilizou-se. Outro sopro. Desta vez o pinhão, como um pretinho da Guiné de tanga a esvoaçar, liberou-se da cela e pulou no espaço. Que pára-quedista!» 

de A Casa Grande de Romarigães, Aquilino Ribeiro

2.

   «A casa era grande, branca e antiga. Em sua frente havia um pátio quadrado. À direita um laranjal onde noite e dia corria uma fonte. À esquerda era o jardim de buxo, húmido e sombrio, com suas camélias e seus bancos de azulejo.
   A meio da fachada descia uma escada de granito coberta de musgo. Em frente dessa escada, do outro lado do pátio, ficava o grande portão que dava para a estrada.
   A parte de trás de casa era virada ao poente e das suas janelas debruçadas sobre pomares e campos via-se o rio que atravessa a várzea verde e viam-se ao longe os montes azulados cujos cimos, em certas, ficavam roxos.» 

de O Jantar do Bispo, Sophia de Mello Breyner Andresen



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de Antonio Machado
para ouvir: aqui e aqui
RETRATO

Mi infancia son recuerdos de un patio de Sevilla,
y un huerto claro donde madura el limonero;
mi juventud, veinte años en tierras de Castilla;
mi historia, algunos casos que recordar no quiero.
Ni un seductor Mañara, ni un Bradomín he sido
– ? ya conocéis mi torpe aliño indumentario? –
más recibí la flecha que me asignó Cupido,
y amé cuanto ellas puedan tener de hospitalario.
Hay en mis venas gotas de sangre jacobina,
pero mi verso brota de manantial sereno;
y, más que un hombre al uso que sabe su doctrina,
soy, en el buen sentido de la palabra, bueno.
Adoro la hermosura, y en la moderna estética
corté las viejas rosas del huerto de Ronsard;
mas no amo los afeites de la actual cosmética,
ni soy un ave de esas del nuevo gay-trinar.
Desdeño las romanzas de los tenores huecos vazio
y el coro de los grillos que cantan a la luna.
A distinguir me paro las voces de los ecos,
y escucho solamente, entre las voces, una.
¿Soy clásico o romántico? No sé. Dejar quisiera
mi verso, como deja el capitán su espada:
famosa por la mano viril que la blandiera,
no por el docto oficio del forjador preciada.
Converso con el hombre que siempre va conmigo
– ¿ quien habla solo espera hablar a Dios un día? –
mi soliloquio es plática con ese buen amigo
que me enseñó el secreto de la filantropía.
Y al cabo, nada os debo; debéisme cuanto he escrito.
A mi trabajo acudo, con mi dinero pago
el traje que me cubre y la mansión que habito,
el pan que me alimenta y el lecho en donde yago.
Y cuando llegue el día del último vïaje,
y esté al partir la nave que nunca ha de tornar,
me encontraréis a bordo ligero de equipaje,
casi desnudo, como los hijos de la mar.

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RETRATO

 

Minha infância são memórias de um pátio de Sevilla,
e um claro pomar onde matura o limoeiro;
a juventude, vinte anos em terras de Castilla;
minha história, casos que não lembro por inteiro.
Sequer Manãra fui, nem Bradomín eu sou
– já conheceis meu torpe alinho costumeiro? –
mas recebi a flecha que Cupido me atirou,
e amei quanto elas possam ter de hospitaleiro.
Em minhas veias corre sangue jacobino,
porém meu verso brota de manancial copioso;
e, mais que simples homem que segue seu destino,
no bom sentido da palavra, sou bondoso.
Adoro a formosura, e na moderna estética
cortei as velhas rosas do horto de Ronsard;
mas não amo os enfeites da atual cosmética,
nem sou uma ave dessas do novo gay-trinar.
Desdenho as romanças dos vazios tenores
e o coral de grilos que para a lua canta.
Fico a distinguir nas vozes os cantores
E, entre as vozes, somente uma encanta.
Sou clássico ou romântico? Não sei. Deixar queria
meu verso, como deixa o capitão sua espada:
famígera pela mão varonil que a brandia
não pelo douto ofício do forjador prezada.
Converso com o homem que sempre vai comigo
– quem fala só espera falar com Deus um dia? –;
meu solilóquio é prática com esse bom amigo
que me ensinou segredos da filantropia.
E ao fim, nada vos devo; deveis-me todo o escrito.
A meu trabalho acudo, com meu dinheiro ajeito
o traje que me cobre e a mansão que habito,
o pão que me alimenta e a cama onde me deito.
E ao chegar o dia da última viagem,
e esteja pronta a nave que nunca há de tornar,
me encontrareis a bordo livre de equipagem,
quase desnudo, tal os filhos deste mar.