segunda-feira, 25 de novembro de 2013

segunda-feira, 18 de novembro de 2013


9.ª semana ~ de 18 a 22 de novembro




Dali. The Disintegration of the Persistence of Memory

- aqui -

 


  • Teste escrito.

  • Diário. - Manual, pp.: 115-119. "Escrever um diário"
  • Memórias. - Texto de Isabel Ruth, pág. 122.











O PROFISSIONAL DA MEMÓRIA

Passeando presente dela
pelas ruas de Sevilha,
imaginou injetar-se
lembranças, como vacina,

para quando fosse dali
poder voltar a habitá-las,
uma e outras, e duplamente,
a mulher, ruas e praças.

Assim, foi entretecendo
entre ela, e Sevilha fios
de memória, para tê-las
num só e ambíguo tecido;

foi-se injetando a presença
a seu lado numa casa,
seu íntimo numa viela,
sua face numa fachada.

Mas desconvivendo delas,
longe da vida e do corpo,
viu que a tela da lembrança
se foi puindo pouco a pouco;

já não lembrava do que
se injetou em tal esquina,
que fonte o lembrava dela,
que gesto dela, qual rima.

A lembrança foi perdendo
a trama exata tecida
até um sépia diluído
de fotografia antiga.

Mas o que perdeu de exato
de outra forma recupera:
que hoje qualquer coisa de um
traz da outra sua atmosfera.


João Cabral de Melo Neto. Museu de Tudo, pp. 401-402.
(Aqui. Em 18.11.2013)






segunda-feira, 11 de novembro de 2013


8.ª semana ~ de 11 a 15 de novembro




Paul Sérusier. Grammar

- aqui -


  • Língua - reflexão. 

  • Coordenação. Subordinação.



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CARTA DA INFÂNCIA


      Amigo Luar:


      Estou fechado no quarto escuro
      e tenho chorado muito.
      Quando choro lá fora
      ainda posso ver as lágrimas caírem na palma das minhas mãos
                e brincar com elas ao orvalho nas flores pela manhã.
      Mas aqui é tudo por demais escuro
      e eu nem sequer tenho duas estrelas nos meus olhos.
      Lembro-me das noites em que me fazem deitar tão cedo e te
                oiço bater, chamar e bater, na fresta da minha janela.
      Pelo muito que te tenho perdido enquanto durmo
      vem agora,
      no bico dos pés
      para que eles te não sintam lá dentro,
      brincar comigo aos presos no segredo
      quando se abre a porta de ferro e a luz diz:
      bons dias, amigo.


          Carlos de Oliveira, Trabalho Poético



segunda-feira, 4 de novembro de 2013


7.ª semana ~ de 4 a 8 de novembro




- aqui -



  • Correspondência de...
  • Leitura comentada de cartas.


  • "QUE"  - pronome relativo.
  • "QUE" - conjunção completiva.





- aqui -




Todas as cartas de amor são

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

21-10-1935
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).

**AQUI – Arquivo Pessoa  (consultado em 4.11.2013)




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Maria Bethânia







- outras versões




  

 



Cartas de amor - Fernando Pessoa_Ofélia